Jornal Já publica “O Rio Grande Corrupto”
Esta relíquia está nas minhas mãos. Percorri cinco quadras da Avenida Borges Medeiros, passando por sete bancas e na última consegui adquirir um exemplar do Jornal Já. Este jornal de Porto Alegre apresenta em edição especial um escândalo que remonta ao tempo do governador Pedro Simon (PMDB), sendo investigado o surrupio de mais de R$ 800 milhões, quantia que põe no bolso a Fraude do Detran.
Não é para menos que o jornal, cuja edição tem cinco mil exemplares na capital, sofre processo da família Rigotto. O periódico pode fechar as portas em razão da pesada indenização judicial que foi condenado a pagar. A direção está recorrendo.
O mundo do Campeão
No mundo dos contratos milionários estabelecidos com o poder público, existem aquelas pessoas com papel essencial no sistema de remuneração sub-reptícia. Transpondo para a linguagem popular, é aquela grana “por debaixo dos panos” que este intrépido agente das falcatruas leva a cidadãos com importantes cargos no país.
A coisa está tão escancarada que chega a ser constrangedor ouvir as piadas que circulam, inclusive nos bastidores da política. Numa rodinha de prefeitos, deputados e vereadores um deles larga essa: “e aí Campeão?” E logo todos dão uma discreta risada.
Chegou-se a um ponto que a sem-vergonhice é tratada de forma natural, o que é inaceitável. Ora, mandatários agindo como funcionários graúdos de empreiteiras, parecendo ter procuração para pleitear recursos em obras mal fiscalizadas, são um escárnio à cidadania.
E o Campeão está circulando por aí. Quando seu nome é falado gera um alívio dos negociadores e operadores, pois logo vem uma euforia, risos e parece que são velhos amigos dentro destes esquemas.
Grande parte da imprensa evita abordar este assunto. Os grandes veículos lançam, de forma limitada, algumas escaramuças, mas não há um combate frontal, o que seria plenamente aceitável. Então há a sensação de uma nojenta impunidade.
Todo este cenário de corrupção, desmandos, privilégios e favoritismos merece ser analisado antropologicamente. Nas grandes cidades, em meio ao turbilhão de milhões de pessoas, muitos negócios adquirem um caráter nebuloso. Podemos morar num edifício e lá termos como vizinhas dezenas de pessoas cuja ocupação desconhecemos. Firmas podem ter escritórios discretos apenas para usar em operações ilegais, escapando de qualquer controle. Neste ambiente propício o Campeão faz e acontece, gravitando do setor privado ao público, levando informações privilegiadas a seus parceiros e, principalmente, obtendo recursos para grupos de seu interesse.
Ao descer do 20º andar do arranha-céu onde trabalha, o Campeão pega o seu carro importado e circula como mais um executivo entre milhares da sua cidade. Usam os mesmos tipos de gravata e tomam o mesmo uísque. No fim da tarde vão para suas residências, num bairro de classe alta, onde escondem nos arquivos do seu computador informações que a sociedade dificilmente conhecerá algum dia. Neste mundo de interesses e disputas empresarias, cercado pela mais baixa política, o Campeão obtém vitórias atrás de vitórias, pois as circunstâncias conspiram a seu favor. Não é para menos que seu apelido é Campeão.
Crítica ao Hospital
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Na sessão desta segunda-feira (23) o vereador Ivan Borba (PDT) falou na tribuna de uma pessoa que teria esperado duas horas por atendimento no Hospital São Vicente de Paulo.
Assim como unanimidades podem ser burras, falta de renovação gerencial fatalmente repete erros e leva a desgastes. Quem acompanha este blog sabe do que estou falando. Neste tópico mais um registro para reforçar a necessidade de reformas. Escutem com atenção o parlamentar.
O Campeão ataca de novo
Eu estava na Reitoria da Ufrgs, hoje pela manhã, e alguns políticos faziam piadas a respeito de um tal de Campeão, uma figura que atua nas penumbras do meio empresarial e político.
Clique aqui para saber das últimas deste intrépido, desta vez aparecendo numa conversa entre Antônio Dorneu Maciel e João Luiz Vargas. De repente há mais um de Campeão, um da Operação Rodin e outro da Operação Solidária. Pode haver outro Campeão só para as conexões litorâneas. Só sei que o homem está com tudo e parece ter muita gente na sua agenda.
Clima é de união pela Ufrgs
Entre prefeitos, vereadores e deputados o clima reinante na palestra de apresentação do projeto do campus da Ufrgs para o Litoral Norte era de união, não interessando em qual cidade irá se instalar a instituição. Isto ocorre em razão de busca de uma relação amistosa e promissora com a Ufrgs.
Claro que nos bastidores há forças políticas debatendo o projeto e as ideias. Alguns trabalham para levar a Ufrgs para o seu município, o que é perfeitamente natural. Mais adiante a disputa dos municípios pelos cursos da universidade vai crescer. Quem tiver maior poder de barganha e convencimento poderá atingir seus objetivos. Por enquanto, a rivalidade é deixada de lado, pelo menos aparentemente.
Litoral terá campus da Ufrgs
Ainda não foi definido o local de instalação do campus. Tramandaí e Imbé estão bem cotados para receber cursos da Ufrgs. Osório também está no páreo. O prefeito osoriense, Romildo Bolzan Júnior, tem interesse ainda na disponibilização de setores do hospital local para o curso de Medicina.
O senador Sérgio Zambiasi é um dos principais parlamentares a gestionar a instalação da Ufrgs no litoral gaúcho. Ele destacou o interesse da região em ter o campus e as possibilidades econômicas que surgirão em decorrência disto. Também se pronunciaram os deputados Henrique Fontana, Eliseu Padilha e Maria do Rosário.
Jogo do Bicho é mania nacional
Em Osório operam quatro bancas de Jogo do Bicho. A jogatina, mesmo contraventora, é uma mania nacional. Basta ver os jogos realizados pela Caixa Econômica Federal, todos contando com o apoio do governo federal.
Nas cidades pequenas e grandes, nos subúrbios e vilarejos, funciona normalmente o Jogo do Bicho, pois está incorporado à cultura nacional. O cidadão sonha com um animal e na mesma semana aposta no número correspondente junto ao corretor da loteria zoológica que circula com um bloquinho e uma caneta.
O Jogo do Bicho tem a cara do brasileiro, pois a aposta às vezes ocorre cercada de coisas engraçadas. Junto também está aquela vontade de descumprir a lei, através dos subterfúgios de uma contravenção tolerada, em parte, pelas autoridades.
Jogo sujo nos bastidores?
Houve reunião do futuro diretor da escola técnica federal, professor Roberto Sauoaya, com vereadores. Segundo ele, pode haver jogo de interesses em relação à construção das instalações desta instituição em Osório. Retirei este trecho do site da Câmara Municipal de Osório: “Os vereadores ouviram de Saouaya a constatação de que “parece que há um viés político acima dos interesses da sociedade, já que, tanto Governo Federal quanto prefeitura de Osório dispõe de recursos e, acima de tudo, de vontade, mas há forças que querem impedir esta realização”.
Na política brasileira não duvido de nada. Depois das conversas que ouvi de deputados com um grande empresário a respeito de “interesses”, recursos públicos e outros esquemas nebulosos creio que deveria haver uma investigação. Sei que há uma empresa de Tramandaí, derrotada na concorrência, que resolveu recorrer judicialmente. Será que existe jogo sujo?
Ciclone no litoral gaúcho
O pior da tempestade não ficou para Osório. A cidade teve poucos danos. Telhados foram arrancados na sua parte leste. Também houve árvores arrancadas, danos em postos de combustíveis e quedas de energia.
O pior ficou para as cidades praianas, como Tramandaí, Cidreira e Xangri-Lá. Ainda foram atingidas as cidades de Capivari do Sul e Palmares do Sul. Em Capivari um agricultor foi atingido por um galho e faleceu.
Por enquanto a imprensa em geral não fala em ciclone, mas tudo leva a crer que seja, com fortes ventos no litoral. Felizmente no meio da tarde de quinta-feira (19) a tempestade já tinha ido para o mar por completo. As rajadas mais fortes ficaram em torno de 130 km/h.


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