Recentemente o Governo do Estado entregou viaturas aos órgãos de segurança pública. Trata-se de uma parte do problema tentando ser encaminhado, pois há um quadro extremamente difícil. A começar pelo pessoal. Além dos salários baixos, a Brigada Militar e a Polícia Civil enfrentam sérios problemas relacionados ao número de funcionários. Há cidades gaúchas com um número diminuto de policiais. Várias delas não possuem delegacia ou plantão noturno, o que equivale a deixar a cidade para os bandidos atuarem livremente.
O prefeito eleito de Imbé, Darcy Luciano Dias (PSDB), afirmou-me que um dos seus objetivos é a criação da Secretaria Municipal da Segurança Pública. Este município, cuja área urbana cresceu muito nos últimos cinco anos, pode ter melhorias com o surgimento de tal pasta, uma vez que o número de arrombamentos de residências é elevado. No entanto, só a criação de uma Secretaria específica para a Segurança Pública não é solução se ela não tiver uma atuação articulada com outros órgãos. O ideal seria ela ter como braço operacional uma guarda municipal, questão a ser amplamente discutida no Legislativo e população em geral.
A criação de guardas municipais está ocorrendo apenas em municípios maiores, como Porto Alegre e Novo Hamburgo. Nas cidades pequenas e médias o assunto não evolui, esbarrando em questões orçamentárias e administrativas. Apesar desta apatia em relação às guardas locais, os fatos estão a demonstrar que elas são uma necessidade e podem dar bons resultados a curto e médio prazo, desde que bem geridas. Desfrutariam ela de notável poder político, com respaldo da prefeitura e dos diversos segmentos da comunidade.
Temos que admitir que o setor está mal. Há nichos corporativos que são contra a modernização e a inovação. O Governo do Estado, este misto de instabilidade e busca de ressurgimento em meio a tantos vacilos, não está tendo um foco eficiente em relação à Segurança Pública. Este setor precisa de ações amplas e outras pontuais. Não há reposição de pessoal nem melhorias salariais para os servidores que estão na luta direta contra o crime. A modernização tecnológica até chega às delegacias, quartéis e unidades operacionais, mas falta um choque direto de administração, no sentido de valorizar o policial, pois as greves surgem e são importante indicador de que as coisas não vão bem.
O conjunto da obra está mal. Agora o governo estadual arremete seu foco publicitário para as cidades do interior, a maioria delas pequenas e médias. A criminalidade cresce nestas comunidades, muitas vezes incentivada por deficiências na segurança pública.
Comentários