Concluída a eleição municipal, observadores agora passam a analisar as distorções existentes na legislação que regula a política e a administração pública. Há diversos pontos que merecem reparos. Como as reformas na legislação passam pela classe política, o corporativismo certamente criará barreiras.
As coligações, estas aberrações legitimadas pelo casuísmo, o troca-troca de cargos entre Executivo e Legislativo, o empreguismo e o excesso de cargos em comissão em detrimento dos concursados, todas são questões que precisam vir ao debate.
No Brasil o Parlamento, seja na esfera nacional, estadual ou municipal, é palco de um jogo de interesses fortíssimos, pois os eleitos são chamados para ocupar cargos no Executivo. No lugar destes assumem os suplentes, o que na verdade desvirtua a eleição para o Legislativo. Quem fez campanha para vereador pode acabar numa Secretaria ou outro importante cargo do Executivo, o que tira o valor de uma eleição para o parlamento, eis que serviu para o partido ou coligação usar estes quadros em cargos onde a ação direta com a máquina pública pode ser mais útil para os interesses eleitorais.
Outra questão importante é o verdadeiro empreguismo que atinge muito as prefeituras, principalmente aquelas cujas cidades possuem atividade econômica limitada. É uma verdadeira farra, apoiada por uma série de instrumentos baseados na legislação. São os CCs (cargos em comissão) e contratados diversos, um verdadeiro “trenzinho da alegria”. Os concursados, esta categoria desprestigiada muitas vezes por não ter vínculo político, assiste a este festival, inclusive à descarada falta de compromisso daqueles que ocupam cargos conseguidos por meio de apadrinhamento e filiação partidária, ou por outros meios que são escondidos da opinião pública.
O casuísmo fortalece-se onde o corporativismo abre-lhe as portas, aproveitando a omissão dos que poderiam combatê-lo. Neste cenário, será difícil muita coisa avançar, já que parará nos interesses de partidos que hoje estão bastante fortalecidos. Mesmo assim, a sociedade pode acompanhar os debates e denunciar àquela parte da imprensa que quer novos parâmetros na política nacional. A recente derrocada do nepotismo no setor público é um incentivo e está a demonstrar que quando há interesse pode-se fazer mudanças, mesmo que contrárias aos interesses de muitos.
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