As duas últimas semanas foram marcadas pelo retorno ao noticiário do vice-governador Paulo Feijó (DEM). Poucos perceberam, ou não querem notar, que Feijó está bem mais fortalecido antes. Seu partido o apoia e a CPI, se criada, o terá como peça fundamental, pois ele tem cópias de cerca de 800 e-mails relacionados à campanha eleitoral da então candidata a governadora Yeda Crusius (PSDB).
Feijó tornou-se uma figura odiada por muitos. Apesar de revelar esquemas duvidosos e ilegais, algumas pessoas dizem que ele é o maior sem-vergonha de todos. Ora, mas quem fez as falcatruas não o é? Feijó não aderiu aos esquemas e então é sem-vergonha?
Outra coisa passou despercebida ou até acobertada. A governadora buscou apoios e parece que não conseguiu. Seu crédito político parece ter chegado ao fim enquanto as aves de rapina sobrevoam o Palácio Piratini. Está isolada e sua tentativa de processar apenas a revista Veja é estranha.
Corporativamente a Assembleia Legislativa pode sair manchada da CPI a ser criada. O pacote de investigações inclui a Operação Solidária, onde são investigados o secretário Marco Alba (deputado eleito) e o deputado Alceu Moreira. O PDT, o fiel da balança, tende a aprovar a CPI e os holofotes novamente cairão sobre Feijó quando revelar o conteúdo do material que possui.
Inevitavelmente vai ocorrer a exposição de empresas que doaram dinheiro à campanha de Yeda e de pessoas que receberam os valores. Quem vai passar por mentiroso? Depende do tipo de prova. O e-mail compromete, mas provas mais fortes como gravações e vídeos fazem um estrago muito maior.
O Rio Grande do Sul, visto como o estado mais politizado da nação, vê o lado negro da política sendo exposto. Yeda não conseguiu se proteger com o escudo do PSDB nacional. O DEM gaúcho aproveita a brecha e contra-ataca.
Num horizonte não muito longe, em abril do ano que vem, Yeda poderá sair do governo para se candidatar a deputada, buscando abrigo num cargo eletivo e mantendo-se viva na política. O vice Paulo Feijó então poderá ser governador até 31 de dezembro.
O Caixa 2 em campanha eleitoral é um vício nacional. O controle dos órgãos de fiscalização é frouxo e reina a facilidade de obter dinheiro por debaixo do pano. Nós do Litoral Norte continuamos acompanhando a crise que teima em rondar o Palácio Piratini. Feijó, o “homem-bomba”, ainda tem muito o que mostrar.
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