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Posts Etiquetados ‘Economia’

Justiça decreta falência da Capri

Leio no portal Litoralmania que a Justiça decretou a falência da indústria Capri, situada em Osório. Recordo-me dos enormes benefícios fiscais que esta empresa recebeu do poder público durante o governo de Antônio Britto (PMDB). Acredito que estas benesses tenham sido mantidas ao longo do tempo por outros governantes.
Uma ação cobrando uma dívida de R$ 549.682,11 levou à falência do empreendimento. O prédio já foi lacrado por um oficial de Justiça. Creio que a comunidade merece explicações da direção da Capri, pois a empresa recebeu muitos incentivos e benefícios e a bancarrota pegou o município de surpresa, representando perda de empregos e de arrecadação.
A Capri havia se engajado no esporte, incentivando o futebol junto aos jovens de Osório. No campo da economia talvez tenha sido atingida pela crise econômica global que já fez diversas vítimas na América.

Filantropia corrompida

dinheiro_voando Nos Estados Unidos a revolta foi grande quando se ficou sabendo do dinheiro que importantes executivos de grandes companhias quase falidas receberam do poder público. O capitalismo hoje é o esporte de ganhar dinheiro e se socorrer da benevolência estatal quando a bancarrota se aproxima.
No Rio Grande do Sul há um tema relacionado a esta quebradeira internacional em razão da gestão temerária de aplicações financeiras e especulativas. É a questão da Ulbra, um empreendimento que tem hospitais, plano de saúde, universidades, canal de televisão e outras coisas mais. Agora que a Ulbra está à beira do precipício fala-se em intervenção estatal. Novamente o Estado é o salvador do empreendimento capitalista.
A Ulbra viveu muitos anos sob o abrigo da filantropia, o que lhe isentava de pesados impostos. Perdeu este guarda-chuva e a casa caiu. Ora, se perdeu o certificado de filantropia é porque as empresas fogem da filantropia, pois estão competindo no mercado da educação e da saúde privada. Então a filantropia é uma ilusão.
Não sou simpatizante de socialismo e muito menos de comunismo. Vejo no Brasil um capitalismo muitas vezes cínico, como se fosse algo para malandros privatizarem os lucros e socializarem os prejuízos. E a população que se vire com a saúde e a educação deficientes, afinal há livre mercado e concorrência para as empresas privadas cobrarem e investirem de acordo com seu interesse. Só que na hora da agonia os empresários encalacrados são socorridos pelas fartas tetas do Estado.
A filantropia é um conceito bastante antigo destinado a santas casas, internatos, escolas, hospitais e instituições que atendem a desvalidos, idosos e famílias em situação extrema. O capitalismo adotou e moldou a filantropia, fazendo dela um importante suporte de administração e divulgação de empresas e marcas. Agora que hospitais fecham, funcionários paralisam, os administradores choram desesperadamente, mas deveriam se indagar se fizeram jus ao certificado de filantropia. Sejam sinceros e me respondam: vocês foram mesmo filantrópicos?

Crise prejudica vinda de indústria

Jorge Ramos, secretário de Desenvolvimento Econômico

Jorge Ramos, secretário de Desenvolvimento Econômico

Em agosto de 2008 Osório assinou protoloco de intenções com o grupo gaúcho Südmetal para a instalação de uma indústria metal-mecânica no município.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento, Jorge Ramos, a crise econômica internacional está prejudicando a instalação do complexo industrial, já que a empresa possui negócios no Exterior e o cenário é de retração nas vendas, o que prejudica investimentos no Brasil.
Ramos frisou para mim que o protocolo de intenções assinado pelo prefeito Romildo Bolzan Júnior e os empresários continua valendo e a meta é a instalação deste pólo em Osório.

Finanças de prefeituras em alerta

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O recente encontro dos prefeitos em Brasília serviu para muitas coisas, não só para ver os figurões do governo federal se esmerarem em propostas e idéias acopladas a projetos fortemente divulgados. Serviu para os mandatários municipais também enxergarem o quadro sombrio que paira sobre as finanças municipais.
Em conversa comigo o prefeito de Tramandaí, Anderson Hoffmeister, revelou que há prefeituras do norte do País que já neste mês estão com extremas dificuldades de pagar o seu funcionalismo. Já no próximo mês algumas não conseguirão saldar sua folha de pagamento, tal a queda de arrecadação.
Tramandaí está tendo redução de cerca de 20% das receitas repassadas pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Para agravar a situação, os valores vindos de royalties da Petrobras tiveram uma acentuada queda em fevereiro. A queda no valor do barril do petróleo repercute nas contas da Petrobras e empresas parceiras e, por conseqüência, nos municípios agraciados pelos royalties.
Está na hora de os prefeitos e suas equipes fazerem uma séria avaliação de que tipo de gestão querem levar adiante. Em grande parte das prefeituras há folha de pagamentos inchadas em razão do número de afiliados políticos e apadrinhados, representando uma parcela significativa do orçamento municipal direcionada para a folha de pagamento. Do outro lado da mesa está o funcionalismo de quadro e todas as metas a serem cumpridas na educação, obras, saúde, trânsito, transporte, assistência social e outras áreas.
As cidades não podem parar por causa da imprevidência de administradores que teimam em não reconhecer a necessidade de austeridade e foco numa gestão por objetivos, sem improvisações motivadas pelo interesse em não desagradar companheiros e coligados.
A luz amarela acendeu no painel do comando das prefeituras brasileiras. As mais vulneráveis são aquelas de cidades pequenas e médias, onde há grande comprometimento mensal das receitas e importante participação de repasses federais e estaduais. Aqui no Litoral Norte o único município que pode respirar aliviado é Osório. O restante tem que respirar fundo e apertar o cinto, pois 2009 será um ano difícil. Se a situação piorar pela falta de ação, os prefeitos terão que acender a luz vermelha e então pode ser tarde demais para evitar o pior, como atraso na folha de pagamento, fim de projetos sociais e cortes orçamentários na saúde, educação, obras e outros setores importantes.

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Obama e o império norte-americano

Os Estados Unidos continuam sendo a nação economicamente mais forte do mundo. Mesmo abalado pela forte crise, o país adota o lema do presidente Barack Obama, “sim, nós podemos”. Tal frase merece uma avaliação profunda, pois inicialmente tendemos a acreditar tratar-se da reafirmação do sonho americano, daquele propalado “american way of life”.
Passada a época de ouro do capitalismo norte-americano, nas décadas de 50 e 60 do século passado, vieram as crises, várias delas pontuais. Mas a atual crise tem implicações profundas que mexem na estrutura corporativa, social e governamental nos EUA. Obama afirma que “sim, nós podemos”, porque há necessidade de novos valores, erguidos numa fase em que o governo precisará desempenhar um papel social muito forte, já que as ações neoliberais mostraram-se até então trágicas. Reagan e os Bush, pai e filho, fizeram uma política que ajudou a jogar o país na atual crise, embalados pela derrocada da URSS e a campanha antiterrorismo.
O império contra-ataca contra a crise que ele próprio criou. As ações do governo Obama revelaram algumas fragilidades da economia dos EUA. Ao redor do núcleo da crise parece haver uma couraça que não será rompida apenas com paliativos. Tanto que uma das primeiras ações do presidente democrata foi determinar que o aço comprado pelo governo seja apenas de indústrias do próprio país, o que provocou uma reação do Brasil e outros países produtores de minérios.
Mas esta ação de Obama tem uma justificativa. Ele quer direcionar recursos para as combalidas empresas dos Estados Unidos, pois quer garantir empregos e todas as atividades que elas realizam, já que representam uma parcela significativa da economia nacional. O mundo da globalização também é um mundo onde há rompantes protecionistas que surgem, geralmente, em contextos de forte crise.
O Brasil sente a crise e tem pela frente o desafio de obter espaço para a exportação de seus produtos. O setor primário precisa garantir mercados na Europa, Ásia, África e Estados Unidos, mas também se depara com ações protecionistas. Então fica claro que a globalização não é garantia de espaço global para todos. Muito tem que ser conseguido com extenuantes negociações e acordos mútuos.
A questão do aço é apenas um dos muitos assuntos que agora passarão a ser debatidos. O certo é que a qualificação da população ainda representa um notável diferencial, o que faz com que a América Latina tenha dificuldades nesta economia globalizada, pois sua capacidade industrial é limitada e, proporcionalmente, sua capacidade exportadora fica restringida.

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Dragões existem

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A crise financeira apresenta-se altaneira, olhando fixamente para tudo o que foi feito até hoje na eletrônica, informática e vários ramos da indústria e comércio. Parece que não há explicações, pois o mundo negava a existência dela, admitindo sobressaltos, mas não imaginava conseqüências tão graves como as atuais.
Ah, os dragões. Jamais foram vistos, fotografados ou filmados. Também nunca foi encontrado nenhum osso ou outra parte do seu corpo que comprovasse sua existência, mas nas lendas e contos antigos eles eram uma realidade, uma necessidade, uma verdade.
Ah, as crises do capitalismo. Elas sempre existiram, mas nunca se admitiu uma derrocada total.
Será que o dragão realmente existe, exterminando empregos e asfixiando gigantescas empresas?
O dragão olha friamente tudo o que está tentando resistir ao seu sopro escaldante. Muitos negaram sua existência, pois achavam que com a crise de 1929 as soluções já haviam sido encontradas.
Agora o dragão olha os executivos de Wall Street, muitos deles à beira do desemprego, com seus empreendimentos indo à falência. Pedir misericórdia ao dragão? Agora já é tarde demais. As chamas fazem arder as colunas do teatro da especulação e da ganância. Uma última cena talvez para enxergar a lendária besta que expele fogo pelas ventas e boca. Dragões existem sim. Eles estão aqui furiosos, cobrando seu tributo por tanto tempo terem sido perseguidos por cavaleiros, alguns incautos e outros corajosos.

Uma reflexão sobre a economia

 Previsão de Robert Heilbroner: “tensões econômicas e sociais”

Quando eu fui, por curto período, aluno de Economia na Ufrgs comprei um livro recomendado pelo professor. A obra é do economista Robert Heilbroner e se chama “A Natureza e a Lógica do Capitalismo”, tendo sido escrita em 1985. Quase ao final da sua obra, ele escreve: “Assim, apesar da tendência geral na direção de uma interpenetração entre economia e Estado e de uma ’socialização’ do consumo, não podemos descartar a possibilidade de que os Estados Unidos perseverem em seu empenho em separar o Estado da economia e restringir suas funções de apoio. É impossível antever que efeitos uma política como essa poderia ter sobre o ritmo e o vigor da acumulação, mas mesmo que o crescimento prospere, a lógica estrutural indica vigorosamente que a acumulação continuará a acarretar tensões econômicas e sociais e um enfrentamento com os limites da estrutura social – não porque o processo de acumular capital tenha fracassado, mas porque foi bem-sucedido”.

*O trecho deste livro revela-nos que a atual crise financeira, com repercussão avassaladora nas bolsas de valores e principais economias do mundo, tem como causa a sofisticação da acumulação capitalista, aguçada pela globalização e alta tecnologia. O sucesso do capitalismo está apontando para uma crise interna, talvez sua ruína. O economista fala em “tensões econômicas e sociais”, “enfrentamento com os limites da estrutura social” e está a apontar os contornos de uma futura crise, hoje instalada. O governo norte-americano teve que intervir na economia, deixando de lado seu renitente sepatismo entre Estado e setor privado. Se a crise é cíclica ou crônica, só o tempo o dirá. Heilbroner viu nas entrelinhas do sistema os mecanismos da crise, dos booms e o papel do Estado na manutenção do capitalismo.

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Neoliberalismo em xeque

A recente crise que assola as bolsas de valores do mundo inteiro novamente traz à tona questionamentos em relação ao neoliberalismo, modelo econômico usado em muitos países a partir da década de 80.

Certos economistas, compreendendo a crise e seus desdobramentos, afirmam que o neoliberalismo está em seus estertores. Julgam que o sistema está se exaurindo, numa autofagia resultado da sede por lucros desmedidos, passando por cima da prudência e da finalidade social.

A crise teve início nos Estados Unidos, quando houve financiamento, através de hipotecas habitacionais voltadas às classes média e baixa. O sistema financeiro norte-americano embarcou neste cassino, imaginando os lucros que viriam ao longo dos anos. O excesso de confiança mostrou-se desastroso. Com o calote dado por milhões de norte-americanos nos bancos, a crise tomou o tamanho de bola de neve. Rolando montanha abaixo ela se agigantou e hoje as repercussões são mundiais, em razão do tamanho e do grau de influência dos Estados Unidos.

O elemento crítico é esta crise do subprime dos EUA, mas aos estudiosos criteriosos que observam os movimentos da economia além da superfície, está posta uma situação ainda mais dramática. Já desde a década de 80 regiões como a América Latina vêm enfrentando problemas econômicos e sociais graves. Além disto, há a crise política. Basta ver o que está se sucedendo na Bolívia, onde ocorre uma crise institucional de grande magnitude.

Diversos fatores nos levam a crer que o neoliberalismo definitivamente entrou em xeque. Agora não é apenas uma contestação panfletária e momentânea, mas uma constatação resultado do movimento da economia, eis que os governos também se vêem em extremas dificuldades. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), age de forma positiva diante da crise. No entanto, os tentáculos de uma recessão começam a se chegar para baixo do Equador. Nossos vizinhos do Cone Sul também poderão submergir num período negro da economia.

Aos governos cabe encontrar a solução, com práticas intervencionistas e investimentos públicos que busquem garantir emprego, projetos sociais e melhor distribuição de renda, quesito em que o neoliberalismo tem falhado muito no Brasil.

Governo aumenta gastos em tempo de juro alto

O cenário da economia nacional é de estrangulamento geral. Os juros tiveram uma nova elevação, o que sinaliza todo um processo de depauperação de diversos setores. A questão que sempre vem à tona, e não poderia ser diferente, é a das elevadas taxas de juros no Brasil. O recrudescimento desta prática possibilita que, mesmo com a manutenção de investidores internacionais no país, haja uma série de especulações. O dinheiro deixa de ser investido na produção para ir para a especulação, assim como prejudica enormemente toda a população que vez ou outra recorre a empréstimos e cheque especial. Do jeito que a coisa está, o calote não vai diminuir, mas aumentar, assim como o desemprego e o fechamento de empresas.

O governo federal precisa fazer sua parte, mas o que se vê são retrocessos. De janeiro a junho as despesas globais da União cresceram 9,8%. Recentemente foram anunciadas as contratações de mais pessoas para ocupar cargos em comissão (CCs), o que representa notável acréscimo às despesas do governo.

A inflação já existe. O preço dos alimentos subiu muito, inclusive o óleo de soja e produtos comuns, como o arroz e o feijão. Agora tiveram reajustes a água e a energia elétrica. Todo um processo inflacionário existe no país, onde a falta de previdência governamental continua sendo um grande mal.

A arrecadação chega à estratosfera, mas o juro elevado mina a capacidade econômica do país de forma vergonhosa. A esfera pública parece habitar um mundo do “faz-de-conta”. E os serviços que presta são precários em diversos setores, como saúde, segurança e transporte.

Em relação ao Rio Grande do Sul vemos o Estado procurando sair do atoleiro, pois foi maltratado por governantes que pensaram apenas no presente e não no futuro. Nem mesmo na ética o Estado pode ser considerado diferenciado. Basta ver o que foi verificado na Fraude do Detran e dos Selos (Assembléia Legislativa), entre outras.

A falta de austeridade dos governos é coisa histórica neste país. A gastança, abastecida pela robusta arrecadação, tem um custo. E ela vem da forma mais injusta. Acontece na forma da inflação que penaliza principalmente os assalariados e a camada mais pobre da população.

Apenas para exemplificar o que o governo federal tem arrecadado e gasto, atentemos que, mesmo sem a CPMF, o fisco amealhou das pessoas físicas e do caixa das empresas R$ 281,7 bilhões. Isto apenas até junho. Até dezembro deverão ser arrecadados mais R$ 300 bilhões. A gastança está lastreada pela arrecadação, mas a médio e longo prazo a inflação pode tomar um rumo ascendente tal que ninguém quer.