O cenário da economia nacional é de estrangulamento geral. Os juros tiveram uma nova elevação, o que sinaliza todo um processo de depauperação de diversos setores. A questão que sempre vem à tona, e não poderia ser diferente, é a das elevadas taxas de juros no Brasil. O recrudescimento desta prática possibilita que, mesmo com a manutenção de investidores internacionais no país, haja uma série de especulações. O dinheiro deixa de ser investido na produção para ir para a especulação, assim como prejudica enormemente toda a população que vez ou outra recorre a empréstimos e cheque especial. Do jeito que a coisa está, o calote não vai diminuir, mas aumentar, assim como o desemprego e o fechamento de empresas.
O governo federal precisa fazer sua parte, mas o que se vê são retrocessos. De janeiro a junho as despesas globais da União cresceram 9,8%. Recentemente foram anunciadas as contratações de mais pessoas para ocupar cargos em comissão (CCs), o que representa notável acréscimo às despesas do governo.
A inflação já existe. O preço dos alimentos subiu muito, inclusive o óleo de soja e produtos comuns, como o arroz e o feijão. Agora tiveram reajustes a água e a energia elétrica. Todo um processo inflacionário existe no país, onde a falta de previdência governamental continua sendo um grande mal.
A arrecadação chega à estratosfera, mas o juro elevado mina a capacidade econômica do país de forma vergonhosa. A esfera pública parece habitar um mundo do “faz-de-conta”. E os serviços que presta são precários em diversos setores, como saúde, segurança e transporte.
Em relação ao Rio Grande do Sul vemos o Estado procurando sair do atoleiro, pois foi maltratado por governantes que pensaram apenas no presente e não no futuro. Nem mesmo na ética o Estado pode ser considerado diferenciado. Basta ver o que foi verificado na Fraude do Detran e dos Selos (Assembléia Legislativa), entre outras.
A falta de austeridade dos governos é coisa histórica neste país. A gastança, abastecida pela robusta arrecadação, tem um custo. E ela vem da forma mais injusta. Acontece na forma da inflação que penaliza principalmente os assalariados e a camada mais pobre da população.
Apenas para exemplificar o que o governo federal tem arrecadado e gasto, atentemos que, mesmo sem a CPMF, o fisco amealhou das pessoas físicas e do caixa das empresas R$ 281,7 bilhões. Isto apenas até junho. Até dezembro deverão ser arrecadados mais R$ 300 bilhões. A gastança está lastreada pela arrecadação, mas a médio e longo prazo a inflação pode tomar um rumo ascendente tal que ninguém quer.
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