
Bairro Agual
Tramandaí é um município de fortes contrastes entre os bairros da parte central e nordeste e os demais. A diferença é ainda maior em relação ao bairro Agual e adjacências. A falta de uma política baseada em planejamento e investimentos sociais transformou o Agual no território das invasões de lotes e violência. Como grande parte desta área pertence ao município vizinho de Osório, numa aberração jurídica perpetuada ao longo dos anos, criou-se um impasse entre as duas municipalidades a respeito de quais seriam os órgãos que ali iram atuar na infraestrutura, saúde, educação e assistência social. Por conta disto, o Agual é um bolsão de pobreza, corroído pela favelização desenfreada e delinquência alarmante.
O deslocamento de grande população para Agual e periferia foi um prato cheio para políticos oportunistas que logo passaram a fazer uso deste contingente com propósitos eleitorais. Ligações de água e luz, fornecimento de cestas básicas e remédios foram a moeda de troca para comprar o apoio destes recém chegados a Tramandaí. Tal prática ganhou corpo e tornou-se um câncer social, pois alimentou a pobreza e a miséria.
Hoje existem duas Tramandais. Uma delas vive num ambiente aconchegante, em bairros com boa iluminação pública, vias bem pavimentadas, com telefonia e energia elétrica, Internet, praças, proximidade de órgãos públicos e empresas que geram empregos, apesar de não num número suficiente para todos, mas durante o verão surgem muitas oportunidades. A outra Tramandaí é um mocambo onde o poder público falhou vergonhosamente. Não há saneamento público na maioria das casas e casebres, muitas fossas estão entupidas, a pavimentação é extremamente precária, proliferam-se ligações clandestinas de esgoto, água e luz, o desemprego é avassalador e o tráfico de drogas é gerador de violência e marginalização.
O resultado é que Tramandaí, a cidade detentora do pujante nome de Capital das Praias, está numa posição vexatória no Índice de Desenvolvimento Municipal, da Firjan. É o município com pior colocação em todo o Litoral Norte. Está em 398º no Rio Grande do Sul. O índice avalia o desenvolvimento urbano a partir do emprego e renda, educação e saúde.
Tramandaí paga o preço por ter feito uma política social errada, o que foi acentuado pelas indecisões político-administrativas em relação ao bairro Agual. Hoje o município tem enorme passivo social, pois cada criança que nasce na periferia está a exigir uma nova postura, um novo foco de gestão que priorize o desenvolvimento de área tão carente.
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