Transparência e probidade administrativa
O Brasil, no tocante à corrupção, desfruta de posição constrangedora no cenário mundial. A desonestidade permeia muitas relações do poder público com a sociedade em geral. Fator agravante é a ausência de transparência dos órgãos públicos.
Na Câmara Federal há projetos visando dotar de transparência o setor público, o que é uma premissa básica para que os cidadãos tenham os olhos sobre os governos. O lastimável é que os gestores públicos não realizam, dentro do seu âmbito, as mudanças necessárias para conferir transparência às suas ações. Então a tendência é de que as reformas venham de cima para baixo, lá de Brasília, o que é um indicativo de falta de compreensão da necessidade de mudanças.
No Brasil há milhares de políticos condenados por improbidade administrativa, o que é encarado com preocupante naturalidade. Parece que os prefeitos, em especial, têm direito sagrado de errar de forma acintosa, pois foram ungidos pelas urnas. Nada mais errado e preconceituoso, sendo um privilégio vergonhoso para um administrador público eleito pelo sufrágio popular. Uma simples portaria pode conter uma ilegalidade, uma injustiça, portanto deve haver ampla transparência de todos os atos dos gestores públicos.
Os partidos políticos brasileiros têm culpa nestes enormes vícios administrativos. Realizam estéreis cursos de formação política e possuem institutos de debate que não mostram para que vieram. São, na verdade, uma forma de dar embalagem propagandística ao discurso partidário, mas do ponto de vista prático, na administração, os resultados praticamente não existem.
Cada prefeitura, por exemplo, deveria ter um site na Internet divulgando seus atos. Poderiam ser chamados de portais de transparência e ali estariam disponíveis às pessoas todas as informações de contratos, obras e demais atos do prefeito e Secretarias. Só que ações deste tipo ficam emperradas na burocracia e, muitas vezes, na falta de interesse do prefeito e seus assessores diretos.
Recebi denúncias de que ocorre nepotismo cruzado no município de Osório, em relações estabelecidas entre Câmara Municipal e Executivo. Vereadores da oposição já solicitaram ao Executivo a relação dos cargos em comissão (CCs).

Os municípios reclamam das responsabilidades que lhes foram passadas pelo Estado e União. Só que há uma diferença entre criticar o aumento dos serviços e a omissão em algumas áreas. Pecam os municípios gaúchos, principalmente os do Litoral Norte, em não efetivarem as suas guardas municipais. Enquanto as repartições da prefeitura estão lotadas de pessoas, a insegurança é uma constante nas ruas.
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